Inhereditassémos ópus importante, (pró)curá-lo-íamos, excepto depreciassémos.É-nos insatisfaciente servar Lusitánique de hodiernos errores: nossos parentes depreciavam-na. É impossíbil construir super lama, ergo próponer "vosmecê" pró "você" é stulta ópera; volvámos a "vossa mercé" e obstémos este pró "tu."Pró Lusitánique conciliámo-nos e partilhémos litteratura e pensamentos.Oferto Gósto de Dizer per Fernando Pessoa: https://pt.wikisource.org/wiki/Gósto_de_dizerExercício 5/11 - quando postares n'este filo, memora de (ab)usar nossos verbos fléxeis; ommite aquillo reduntante:(se tu) fizesses >> fizesses(quando nós) formos >> formos(se elle) estudasse, (então elle) passaria >> estudasse, passaria.
>Gósto de dizer. Direi melhor: gósto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocaveis, sereias visiveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de >nenhuma especie — nem sequer mental ou de sonho —, transmudou-se-me o desejo para aquillo que em mim cria rhythmos verbaes, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal pagina de >Fialho, tal pagina de Châteaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inattingivel que estou tendo. Tal pagina, até, de Vieira, na sua >fria perfeição de engenharia syntactica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delirio passivo de coisa movida.>Como todos os grandes apaixonados, gosto da delicia da perda de mim, em que o goso da entrega se soffre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, >deixando que as palavras me façam festas, creança menina ao collo d’ellas. São phrases sem sentido, decorrendo morbidas, numa fluidez de agua sentida, esquecer-se de ribeiro em que as ondas se >mixturam e indefinem, tornando-se sempre outras, succedendo a si mesmas. Assim as idéas, as imagens, tremulas de expressão, passam por mim em cortejos sonoros de sedas esbatidas, onde um luar >de idéa bruxuleia, malhado e confuso.
>Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Ha porém paginas de prosa que me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda >creança, li pela primeira vez, numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão. “Fabricou Salomão um palacio...” E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; >depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa >clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são côres >ideaes — tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é — não — a saudade da infancia, de >que não tenho saudades: é a saudade da emoção d’aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.>Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portugueza. Nada me pesaria que >invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente. Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve >mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa propria, a syntaxe errada, como >gente em quem se bata, a orthographia sem ipsilon, como um escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.>Sim, porque a orthographia tambem é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da translitteração greco-romana veste-m’a do seu vero manto regio, pelo qual >é senhora e rainha.
useful links:Virtutis Discipulus - https://youtu.be/hc9TTZW9riIOrthographia etymologica historica - https://correctororthographico.blogspot.com/
>may I have a crumb of attention.jpg
Crie um fio normal na próxima
Algo